sábado, 27 de fevereiro de 2010

Uma carta aos pais
Senhores pais...A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96) e a Constituição Federal afirmam que a educação é dever do Estado e da família.Sabendo disso, aproveite o início do ano letivo para ir à escola. Conheça os professores do seu filho. Converse com eles. Ajude-os com informações que retornarão em forma de benefícios para seu filho.Se não queremos que seja necessário ajudar o serviço de inteligência da polícia amanhã, vamos ajudar o professor hoje, pois seu trabalho para ter êxito, também necessita de auxílio. E é mais do que óbvio afirmar que ninguém poderá ajudá-lo de forma mais eficaz do que os pais, pois ninguém conhece melhor os filhos do que os pais.O profissional da educação não é apenas o técnico formado e responsável pela educação formal do aluno. É também o ser humano que está atento e apto para ouvir, aconselhar, motivar e inclusive ser mediador entre o próprio aluno e a família, caso necessário. A polícia talvez nem tenha tempo, ou não possa fazer mais nada quando o problema chega em suas mãos.O processo de aprendizagem é algo complexo, e como tal, exige o esforço de todos os envolvidos, pois está relacionado não só a questões cognitivas, mas também emocionais e até socioeconômicas.Não espere chegar o final do ano para visitar a escola apenas para saber se o seu filho passou. É incrível, mas isso acontece todos os anos: muitos pais aparecem somente na última semana de aula porque o filho ficou de recuperação final, embora sabendo que é impossível recuperar em uma semana o que ele deixou de aproveitar durante o ano. E quem são esses pais? São justamente daqueles que deram mais trabalho na escola durante todo o ano.Se o seu filho é adolescente, sua atenção deve ser redobrada, embora ele entenda que não necessita da ajuda de ninguém. É uma fase traiçoeira, pois nela, o indivíduo não consegue prever consequências, muito menos projetar o futuro. Essa responsabilidade cabe principalmente aos pais.Portanto, não espere para ajudar a polícia no futuro, ajude o professor não só agora, mas durante todo o ano, sempre encarando a educação do seu filho com muita responsabilidade, pois, embora exija muito esforço de todas as partes, ainda é o caminho mais curto e seguro para uma melhor qualidade de vida no futuro.

Professor Gileade Oliveira - Licenciado em Matemática pela UFRR - e em Pedagogia pela UERR - Pós-graduado em Orientação Educacional - e Docência do Ensino Superior pela UCAM – RJ - E-mail:gileadesousa @click21.com.br

Fonte: Jornal Folha de Boa Vista.

sábado, 20 de fevereiro de 2010


"São José a vós nosso amor

Sede nosso bom protetor

Aumentai o Nosso fervor..."
Professoras Rita e Luzia(sentada).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Reflexão!!!

PAULO FREIRE

"Ai de nós, educadores, se deixarmos de sonhar sonhos possíveis. Os profetas são aqueles ou aquelas que se molham de tal forma nas águas da cultura e da história, da cultura e da história de seu povo, que conhecem o seu aqui e o seu agora e, por isso, podem prever o amanhã que eles, mais do que adivinham, realizam."

" O sonho pelo qual brigo, exige que eu invente em mim a coragem de lutar ao lado da coragem de amar ".

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Centelha da natureza
[...]
Vi prolongado verão
Se abater sobre a terra
E vi na baixa e na serra
Só folhas secas no chão
As árvores sem condição
De resistir o calor
E o sol com seu furor
Fazendo as águas secar
Sem pão, sem água e sem lar
Vi sofrendo o pecador.
[...]
ALBUQUERQUE, Severino Cavalcanti de. Centelha da
natureza. Campina Grande: Editora UEPB, 2000, p. 5.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA
PRO-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

ALUNA: MARIA APARECIDA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE
PROFESSORA: MIRIAN BECKER

Inclusão na escola - um direito dos portadores de cegueira

Como diz o meu pai, o poeta paraibano Severino Cavalcanti de Albuquerque, que perdeu a visão há alguns anos, é “preciso ver com os olhos do coração”. Mas nós professores queremos que os nossos alunos especiais enxerguem com a alma e aprendam com o direito que lhes foi concedido pela Resolução CNE/CEB Nº 2, DE 11 de setembro de 2001 que instituiu Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica em consonância com o Decreto Nº 5296 de2004 , onde são categóricos em dizer que todo aluno deve está matriculado na escola.
De acordo com Mazzota, a luta dos deficientes visuais para terem seus direitos de cidadãos colocados em prática é histórica. Em 1854, com o Decreto Imperial Nº 1428, D.Pedro II fundou na cidade do Rio de Janeiro, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, uma homenagem ao portador dessa deficiência, o brasileiro José Álvares de Azevedo. Também temos o Instituto Benjamim Constant, (professor de Matemática atuante na luta pela escola para cegos) e homenageado com o nome do Instituto em 1891. Já em 1942, essa instituição editou em braille a Revista Brasileira para Cegos.
Outra conquista no país foi a Fundação para o Livro do Cego no Brasil – FLCB em 1946 que em 1990 passou a chamar-se Fundação Dorina Nowill para Cegos. Sabemos que nos anos anteriores essas fundações foram feitas para as classes burguesas, mas registram-se como os primeiros passos para que pudéssemos como sociedade fomentarmos a idéia de que todo povo brasileiro portador de necessidade especial tem direitos iguais. As instituições na atualidade mudaram, atendem jovens de todas as classes, mas nosso debate se dá na Inclusão desses cidadãos na Educação Básica.
No Brasil contemporâneo temos quase dez milhões de Deficientes Visuais, segundo a Radioagência Notícias do Planalto e que precisam de uma escola adequada para atendê-los, com uma educação de qualidade como exigem a própria LDB e a Constituição Federal de 1988. Mas fica-nos a preocupação, porque não basta acontecer na escola apenas a socialização e a inclusão, esses alunos precisam aprender a ler e escrever como todos os outros discentes, dominar a matemática e a interpretação, e tudo que diz respeito ao currículo, como bem afirmam a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien, Tailândia-1990) e a Declaração de Salamanca (Espanha-1994):“(...) capacidade de avaliar as necessidades especiais, de adaptar conteúdo do programa de estudo, de recorrer a ajuda da tecnologia, de individualizar os procedimentos pedagógicos para atender a um maior número de aptidões (...)”, e para que isso aconteça são necessários profissionais formados e com condições de trabalho coerentes com a lei, salários dignos e valorização.
Dentro desse contexto, vem as linguagens e códigos aplicáveis, como o Sistema Braille e os recursos humanos, que além de um professor preparado (atualizado), a escola tem que ter psicólogos e fonoaudiólogos. A parte física do prédio tem que ser adaptada, por exemplo, com rampas no lugar de escadas e com corrimão, entre outros. Outra questão é o preconceito que não deve existir. Um portador de necessidade especial é igual a todos nós, com sonhos, desejos, raiva, prazer, e deve ser tratado normal. Pedro Zurita afirma “(...) ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente.”
Quanto a tecnologia, não basta ter os computadores “como marketing político” numa sala, é necessário que os programas sejam adicionados as aulas, como o Virtual Vision que tem sintetizador de voz, permitindo que o leitor possa ouvir a mensagem, usar o dicionário fonético, gravar a voz, e usar cada aplicativo disponível no sistema do Windows. Já no Linux é possível utilizar o KDE 4 e o MBROLA com versões mais atualizadas para os alunos portadores, segundo Monqueiro.
Os professores de sala de aula devem ler o que está no quadro para que as crianças que não enxergam ou que tem pouca visão possam ouvir o que está sendo explicado. Evitar termos como “isto ou aquilo”, e quadros com reflexos solar. Jamais o aluno deve ser excluído da educação física, o docente deve usar o próprio corpo da criança para orientá-la nas aulas.
Enfim, o Estado deve garantir a esse estudante transporte, atendimento médico, semáforos e vias apropriadas para ele chegar até a escola, pois quando falamos de educação estamos falando em cidadania e a aprendizagem não é um contexto separado da realidade que o cerca. A formação desses alunos vai além do muro da escola e os funcionários da instituição precisam está preparados para essa proposta.
Na Escola Estadual São José há um esforço muito grande dos professores para que os portadores de necessidades especiais sejam atendidos, pois já estão na escola e tem o direito de está ali como qualquer outro cidadão. Mas deixo o meu registro de indignação em nome do meu pai e de todos os estudantes que precisam de atendimento diferenciado, pois o sofrimento é grande nas salas de aula porque tudo que está exposto nesse texto são propostas legalizadas que não saem do papel por falta de compromisso dos representantes políticos e da burocracia das políticas públicas do Brasil. Nós professores somos muito cobrados, mas sem assistência. Damos tudo de nós para que de fato o ensino aconteça. O apoio é mínimo!
Pensar em educação é pensar no ser humano e esses devem ser respeitados como cidadãos!


Referências:

MAZZOTA, Marcos José Silveira. Educação Especial no Brasil. Histórias e Políticas Públicas. 3ªed. São Paulo: Cortez, 2001.
RadiogenciaNP.com.br. Debate: Deficientes Visuais no Brasil.São Paulo, 2010.
Pedro Zurita. Dicas de convivência com deficientes visuais.
http://www.guiadohardware.net/tutoriais/configurando-linux-deficientes-visuais/. Júlio César Bessa Monqueiro.
http://www. saci.org.br

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Nossa eterna orientadora Lúcia Girardi. Uma educadora exemplar!

Ex-diretora Lenir Veras. Tempos de muito debate e estudo. Sinto falta de um grupo de estudo!

Educar
Rubem Alves (*)

Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” - e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande.
Ele fica mais rico interiormente...

E, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.

Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação – mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à importância do olhar na educação, em qualquer deles.

A primeira tarefa da educação é ensinar a ver...

É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo...

Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.

A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades... (**)

Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.

Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.

Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.

Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados.
Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.

Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.

Na escola, eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas eu esqueci. Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore, ou para o curioso das simetrias das folhas.

Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras do que com a realidade para a qual elas apontam.

As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos.

Aprendemos palavras para melhorar os olhos.

As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...
O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.

Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo,
e o mundo aparece refletido dentro da gente.

São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver.
Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida.

Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança, jamais será sábio.


(*) Rubem Alves nasceu em 15 de setembro de 1933 em Boa Esperança, Minas Gerais.
Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia, psicanalista e professor emérito da UNICAMP. Tem três filhos e cinco netas.
Poeta, cronista do cotidiano, contador de histórias, um dos mais admirados e respeitados intelectuais do Brasil.

Ama a simplicidade.
Ama a ociosidade criativa.
Ama a vida, a beleza e a poesia.
Ama as coisas que dão alegria.
Ama a natureza e a reverência pela vida.
Ama os mistérios.
Ama a educação como fonte de esperança e transformação.
Ama todas as pessoas, mas tem um carinho muito especial por alunos e professores.
Ama Deus, mas tem sérios problemas com o que as pessoas dizem ou pensam a seu respeito.
Ama as crianças e os filósofos – ambos têm algo em comum: fazem perguntas.
Ama, ama, ama, ama...


As crianças não têm idéias religiosas, mas têm experiências místicas.
Experiência mística não é ver seres de um outro mundo.
É ver este mundo iluminado pela beleza.