terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA
PRO-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

ALUNA: MARIA APARECIDA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE
PROFESSORA: MIRIAN BECKER

Inclusão na escola - um direito dos portadores de cegueira

Como diz o meu pai, o poeta paraibano Severino Cavalcanti de Albuquerque, que perdeu a visão há alguns anos, é “preciso ver com os olhos do coração”. Mas nós professores queremos que os nossos alunos especiais enxerguem com a alma e aprendam com o direito que lhes foi concedido pela Resolução CNE/CEB Nº 2, DE 11 de setembro de 2001 que instituiu Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica em consonância com o Decreto Nº 5296 de2004 , onde são categóricos em dizer que todo aluno deve está matriculado na escola.
De acordo com Mazzota, a luta dos deficientes visuais para terem seus direitos de cidadãos colocados em prática é histórica. Em 1854, com o Decreto Imperial Nº 1428, D.Pedro II fundou na cidade do Rio de Janeiro, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, uma homenagem ao portador dessa deficiência, o brasileiro José Álvares de Azevedo. Também temos o Instituto Benjamim Constant, (professor de Matemática atuante na luta pela escola para cegos) e homenageado com o nome do Instituto em 1891. Já em 1942, essa instituição editou em braille a Revista Brasileira para Cegos.
Outra conquista no país foi a Fundação para o Livro do Cego no Brasil – FLCB em 1946 que em 1990 passou a chamar-se Fundação Dorina Nowill para Cegos. Sabemos que nos anos anteriores essas fundações foram feitas para as classes burguesas, mas registram-se como os primeiros passos para que pudéssemos como sociedade fomentarmos a idéia de que todo povo brasileiro portador de necessidade especial tem direitos iguais. As instituições na atualidade mudaram, atendem jovens de todas as classes, mas nosso debate se dá na Inclusão desses cidadãos na Educação Básica.
No Brasil contemporâneo temos quase dez milhões de Deficientes Visuais, segundo a Radioagência Notícias do Planalto e que precisam de uma escola adequada para atendê-los, com uma educação de qualidade como exigem a própria LDB e a Constituição Federal de 1988. Mas fica-nos a preocupação, porque não basta acontecer na escola apenas a socialização e a inclusão, esses alunos precisam aprender a ler e escrever como todos os outros discentes, dominar a matemática e a interpretação, e tudo que diz respeito ao currículo, como bem afirmam a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien, Tailândia-1990) e a Declaração de Salamanca (Espanha-1994):“(...) capacidade de avaliar as necessidades especiais, de adaptar conteúdo do programa de estudo, de recorrer a ajuda da tecnologia, de individualizar os procedimentos pedagógicos para atender a um maior número de aptidões (...)”, e para que isso aconteça são necessários profissionais formados e com condições de trabalho coerentes com a lei, salários dignos e valorização.
Dentro desse contexto, vem as linguagens e códigos aplicáveis, como o Sistema Braille e os recursos humanos, que além de um professor preparado (atualizado), a escola tem que ter psicólogos e fonoaudiólogos. A parte física do prédio tem que ser adaptada, por exemplo, com rampas no lugar de escadas e com corrimão, entre outros. Outra questão é o preconceito que não deve existir. Um portador de necessidade especial é igual a todos nós, com sonhos, desejos, raiva, prazer, e deve ser tratado normal. Pedro Zurita afirma “(...) ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente.”
Quanto a tecnologia, não basta ter os computadores “como marketing político” numa sala, é necessário que os programas sejam adicionados as aulas, como o Virtual Vision que tem sintetizador de voz, permitindo que o leitor possa ouvir a mensagem, usar o dicionário fonético, gravar a voz, e usar cada aplicativo disponível no sistema do Windows. Já no Linux é possível utilizar o KDE 4 e o MBROLA com versões mais atualizadas para os alunos portadores, segundo Monqueiro.
Os professores de sala de aula devem ler o que está no quadro para que as crianças que não enxergam ou que tem pouca visão possam ouvir o que está sendo explicado. Evitar termos como “isto ou aquilo”, e quadros com reflexos solar. Jamais o aluno deve ser excluído da educação física, o docente deve usar o próprio corpo da criança para orientá-la nas aulas.
Enfim, o Estado deve garantir a esse estudante transporte, atendimento médico, semáforos e vias apropriadas para ele chegar até a escola, pois quando falamos de educação estamos falando em cidadania e a aprendizagem não é um contexto separado da realidade que o cerca. A formação desses alunos vai além do muro da escola e os funcionários da instituição precisam está preparados para essa proposta.
Na Escola Estadual São José há um esforço muito grande dos professores para que os portadores de necessidades especiais sejam atendidos, pois já estão na escola e tem o direito de está ali como qualquer outro cidadão. Mas deixo o meu registro de indignação em nome do meu pai e de todos os estudantes que precisam de atendimento diferenciado, pois o sofrimento é grande nas salas de aula porque tudo que está exposto nesse texto são propostas legalizadas que não saem do papel por falta de compromisso dos representantes políticos e da burocracia das políticas públicas do Brasil. Nós professores somos muito cobrados, mas sem assistência. Damos tudo de nós para que de fato o ensino aconteça. O apoio é mínimo!
Pensar em educação é pensar no ser humano e esses devem ser respeitados como cidadãos!


Referências:

MAZZOTA, Marcos José Silveira. Educação Especial no Brasil. Histórias e Políticas Públicas. 3ªed. São Paulo: Cortez, 2001.
RadiogenciaNP.com.br. Debate: Deficientes Visuais no Brasil.São Paulo, 2010.
Pedro Zurita. Dicas de convivência com deficientes visuais.
http://www.guiadohardware.net/tutoriais/configurando-linux-deficientes-visuais/. Júlio César Bessa Monqueiro.
http://www. saci.org.br

5 comentários:

  1. Olá, Cidinha!
    Muito coerente a sua posição diante do tema. Concordo com você quando diz que falta compromisso dos representantes políticos. Afinal não estão conseguindo oferecer a esses PNEE,o mínimo, que é a acessibilidade.
    Abraços!
    Ana Maria

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  2. Olá Cidinha! Parabéns pelo Blog! Seu texto traz reflexões sobre o atendimento especializado a pessoa com deficiência visual, e traça o avanço na conquista aos seus direitos, porém ainda hoje vivemos cotidianamente o desafio de concedê-los principalmente na escola. Contudo precisamos continuar lutando pelo respeito às diferenças!

    P.S. Faltou postar um dos poemas do seu Pai.

    Sucesso! Mirian

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  3. Oi Cidinha, Parabéns pelo texto, muito bom.
    Também fiquei curiosa pra conhecer os poemas do seu pai.
    Um abraço, Dorinha Leal

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  4. Olá Cidinha, parabéns pelo seu Blog.
    Acho admiravel a luta daqueles que querem que o diferente seja visto e tratado como o mesmo respeito em todas as pessoas ditas normais são tratadas, Que sejamos todos iguais.
    Grande abraço
    Sandra

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  5. OI Cidinha,o seu blog esta um encanto,e a frase de seu amado pai foi bem coloca é“preciso ver com os olhos do coração”. Nós professores, precisamos mostrar aos nossos educandos portadores de necessidades,mas principalmente os visuais ,que existe outras formas de ver a vida ,de sentir-la,basta buscar.BJK no coraçao,

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