domingo, 11 de abril de 2010

Educação e exemplo

Dídimo Heleno é advogado.
E-mail: dibeleno@yahoo.com.br

A frase se tornou clichê, mas nem por isso menos precisa: “um exemplo vale mais do que mil palavras”. De fato, aquele velho costume do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” (outro clichê) não funciona, e ainda menos para quem tem a árdua tarefa de educar filhos.
No Brasil nem tudo funciona a contento. As universidades federais, por exemplo, que a princípio deveriam abrigar os menos favorecidos, estão repletas de endinheirados, basta dar uma espiada nos estacionamentos dessas instituições e verificar muitos carros de luxo, indicando o poder aquisitivo de grande parte dos estudantes. E isso se dá por uma simples razão: o ensino está falido. Quem tem um pouquinho mais de condições coloca o filho para estudar em colégio particular. Não que esses sejam um primor, são apenas menos ruins. Na hora do vestibular, a concorrência é desleal, já que o pobre disputa a vaga em franca desvantagem.
Penso que as cotas raciais não resolvem o problema, apenas aumentam a discriminação. Os beneficiários ficariam menos constrangidos se pudessem ingressar na universidade por mérito e não pela cor da pele. Os argumentos dos que defendem as cotas são por demais conhecidos, alegando que se deve abrir oportunidade a todas as “minorias”.
Na verdade, a melhor solução seria investir na qualidade do ensino, oferecendo boas condições a todos, seja ao estudante da escola pública ou da particular. Ouço por aí a falácia de que o ensino no Brasil segue às mil maravilhas; na verdade, quando se discute educação quase sempre o foco cinge-se tão somente no aumento salarial dos professores e na expansão da parte física das escolas. Afastam-se do cerne da questão - o próprio ensino. É preciso adotar a meritocracia, valorizando os bons, o que estimularia os mais fracos através dos exemplos reconhecidos. A polí-tica é aprovar a qualquer custo para fazer números, seja o aluno medíocre ou não, seguindo o mesmo caminho do serviço público, onde não importa quem trabalha e produza, o salário do final do mês será o mesmo tanto para o relapso quanto para o competente.
O senador Cristovam Buarque é autor de um projeto cuja proposta é fazer com que todos os polí-ticos eleitos - vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e o presidente - matriculem obrigatoriamente os seus filhos em escolas públicas, sob pena de perderem o man-dato. No Reino Unido e Cingapura os representantes nem ousam colocar seus rebentos em escola particular; isso ofenderia os eleitores. Essa é uma ótima ideia, embora haja quem diga que tal obrigação fere a liberdade do político. Como argumenta o próprio Cristovam, “todo cidadão é livre para não ser candidato. Se ele opta pela vida pública, deve assumir obrigações”.
Na carona da proposta do senador, talvez fosse interessante proibir o voto de analfabeto (hoje é facultativo), o que incentivaria os políticos a priorizar a alfabetização. Também não seria má ideia obrigá-los a se tornarem pacientes somente de hospitais públicos; e que só se locomovessem através de transporte coletivo. Você tem dúvida de que tais serviços melhorariam?
Dia desses, durante a inauguração de uma unidade de pronto atendimento, em Paulista, região metropolitana do Recife-PE, o presidente Lula disse, em tom hipócrita, que as instalações estavam tão organizadas e bem cuidadas que dava até vontade de ficar doente, só para ser atendido ali. Caiu um raio em sua cabeça e ele sofreu uma crise de hipertensão no mesmo dia. Seguiu direto para o Real Hospital Português (instituição privada), na capital, afinal ele bem sabe qual o estado de nossa saúde, educação, segurança...

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